São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta?Quem
as recolhe assim
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 21 de abril de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
MED0
Sophia de Mello Breyner Andresen
Terror de te amarTerror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
POEMA OU PROSA
O valor das coisas
não está no tempo
que elas duram,
mas na intensidade
com que acontecem.
Por isso existem
momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis
e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa
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